História

O fim-de-semana mais próximo do dia 21 de Setembro é o momento definido para as comunidades da vila e concelho de Soure promoverem as maiores festas da edilidade, em honra do apóstolo Mateus – que, em simultâneo, representam uma das maiores peregrinações e romarias da região do Baixo-Mondego, Gândaras e norte da Estremadura. Esta importância está provada desde tempos ancestrais, provavelmente desde a construção no século XII por Rício de uma ermida em sua honra nos arredores da vila de Soure, num local denominado como monte de S. Mateus, cuja origem pode ser testada numa lápida grafada sobre o cenotáfio de Ríco (Rijo).

É a Fé e o acreditar nos feitos como santo milagreiro que desde tempos remotos funciona como epicentro de vasta multidão de devotos, peregrinos e romeiros a cumprir promessas e ofertas prometidas ao longo dos anos. As preces mais frequentes visam ajudar a resolver pequenas mazelas de ordem física ou a solicitar a proteção dos animais, searas e pomares. Daí, as ofertas em norma resultarem da mãe natureza ou da força do trabalho.

A tradição transmite que as ofertas derivam de produtos roubados durante o percurso dos devotos e ranchos a caminho de S. Mateus e são depositados no altar do santo, uma função inspirada e adulterada da doutrina de S. Mateus.

Desta forma os devotos noutros tempos depositavam sobre o altar abóboras e espigas (milho e trigo, centeio e arroz), uvas e frutas das novidades, rãs e sapos, lagartixas e gafanhotos, pulgas e moscas, aguardente e vinhos. Atualmente, junto ao altar de S. Mateus apenas são depositadas flores – e muitas!

As velas de cera são queimadas em sítio próprio, as ofertas rececionadas pelos mordomos e depositadas na sacristia – além do dinheiro, da cera e das flores – são à base de produtos da lavoura, bebidas, enchidos, entre outros. Em suma, trata-se de um ofertório da época, passível de leiloar e os lucros reverterem para a conservação da ermida.

As Festas de S. MATEUS são organizadas pela Câmara Municipal de Soure, sendo o dia 21 de Setembro feriado Municipal Concelhio.

Esta festa é das maiores a nível concelhio, conjuntamente com a FATACIS – Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio, Industria de Soure – um certame fundamental para a promoção e divulgação dos mais variados ramos da atividade económica que o Concelho tem para oferecer.

É nesta festa que todos os munícipes se reúnem e participam em variadas atividades. São muitos os visitantes de fora que aqui se deslocam sejam pelos convidados de cartaz ou pela festa em si.

A feira das nozes, das cebolas e da madeira e a feira generalista, são ingredientes que certamente, não deixarão de interessar, vivamente, não só à população local mas também a quem, nestes dias, visita esta vila, situada a sul do distrito de Coimbra.

Concelho de “micro, pequenas e médias empresas”, Soure vai contar, nos festejos, com a presença de ranchos folclóricos, bandas de música, gastronomia e o artesanato das suas doze freguesias. Muitas instituições locais também colaboram no evento, cuja responsabilidade pertence, desde 2007, à Associação Empresarial de Soure. Prevê-se, por isso, que o êxito esteja, à partida, garantido, no seguimento, aliás, do que tem sucedido em anos anteriores.

Nestes dias Soure vive só para a sua feira que é conhecida em todo o país.